Coordenador da Abraminj prestigia eventos sobre Justiça Restaurativa e Processos Circulares com Kay Pranis

29 Mai 2017

Nos dias 25 e 26 de maio, em São Paulo, a professora norte-americana Kay Pranis, especialista em práticas restaurativas e idealizadora dos “processos circulares”, compartilhou conhecimentos profundos e supervisionou gestores e facilitadores, na sede da Palas-Athena (25/5), e no auditório do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- TUCA (26/5). Os eventos contaram com a participação do juiz Marcelo Salmaso, Coordenador para a Justiça Restaurativa da Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e da Juventude - Abraminj.

Os dois dias de intenso aprendizado do evento, organizado pela Palas-Athena e pela PUC-SP, contou com o apoio da Coordenadoria da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (CIJ/TJSP), da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), da Abraminj, da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo (CEDHEP), de Justiça em Círculo e do Centro de Mediação Transformativa (Mediativa).

Nas oportunidades, Kay Pranis ressaltou a importância de os facilitadores de processos circulares buscarem a própria consciência interna e, ainda, de sempre revisitarem os princípios profundos do processo circular, para que este se mantenha como um espaço qualificado e altamente estruturado para proporcionar a todos os participantes - ofensor, vítima, famílias e comunidade - que ali busquem o seu melhor como ser humano, um espaço que permita às pessoas estarem juntas com toda a sua presença e reconhecer e ouvir o outro em toda a sua humanidade, para que novas formas de convivência, que inclua as diversas visões de mundo, sem exclusão, sejam construídas. 

A professora norte-americana ainda enfatizou que o processo circular é um espaço privilegiado para as pessoas exercitarem essa forma acolhedora, dialógica, solidária e humana de estar com o outro, para que, depois, seja levada para todas as demais esferas de convivência.

Nas palavras do coordenador para a Justiça Restaurativa da Abraminj, Marcelo Salmaso, “é sempre especial estar com a professora Kay Pranis, a idealizadora dos processos circulares da Justiça Restaurativa, cuja influência, no Brasil, é imensa. Os seus ensinamentos trazem que é possível construir uma nova forma de convivência social, pautada pelo diálogo, pelo atendimento das necessidades, pela construção de responsabilidades individuais e coletivas, bem como, pelo amor ao ser humano. Ainda, o que a professora Kay Pranis enfatiza, no sentido de sempre revisitarmos os princípios profundos dos processos circulares e estarmos atentos a eles, é fundamental nesse momento em que a Justiça Restaurativa se expande no país, para que a Justiça Restaurativa mantenha-se com o todo o seu potencial de instrumento de transformação social e para que o processo circular não se torne um lugar de julgamento, mas, sim, um espaço privilegiado e estruturado para que as pessoas desenvolvam o que tem de melhor”.

Sobre Kay Pranis

Instrutora independente e facilitadora de círculos de construção de paz. De 1994 a 2003 desempenhou no Departamento Correcional de Minnesota, nos Estados Unidos, as funções de Planejadora de Justiça Restaurativa. Trabalhou com as lideranças de estabelecimentos correcionais, da polícia, dos tribunais, de associações de bairro, comunidades religiosas e escolas desenvolvendo uma resposta abrangente ao crime e ao conflito, com base na justiça restaurativa. Atua no desenvolvimento de processos circulares para o sistema judiciário, escolas, vizinhanças, famílias e empresas. É autora de inúmeras obras sobre o tema.