Primeira Vara da Infância e Juventude da Capital desenvolve programa de apadrinhamento afetivo

29 Jul 2017

Por: TJPB

Adotar uma criança ou adolescente em situação de abrigo é o meio mais efetivo de resgatar o direito ao convívio familiar e comunitário, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente. No entanto, há casos de crianças e adolescentes que estão nas instituições de acolhimento provisoriamente, na perspectiva de serem reintegradas à família de origem, ou destinadas à adoção. Uma alternativa que pode proporcionar a esses uma oportunidade de se relacionar e criar laços afetivos, conhecendo exemplos de participação familiar e de cidadania, é o programa de apadrinhamento.

A psicóloga Fernanda Brandão, do Núcleo de Apadrinhamento Afetivo Sorriso Infantojuvenil (NAPSI) da 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de João Pessoa, esclarece que “algumas crianças e adolescentes não são órfãos, mas ficam nos abrigos enquanto é realizado um trabalho com as famílias, que estão em situação de vulnerabilidade ou cometeram algum ato contra eles. No abrigo, nada lhes falta, mas os padrinhos são um apoio a mais, um acompanhamento que ajuda muito”, afirmou.

As pessoas que se dispõem a desprender amor e cuidado em relação aos abrigados, podem se tornar padrinhos e madrinhas. Conforme explicou Fernanda Brandão, há três formas de apadrinhamento: financeiro, social e afetivo.

O padrinho financeiro é quem se habilita a custear, por exemplo, escola, cursos profissionalizantes, atividades de lazer e prática de esportes do afilhado. O apadrinhamento social é como uma prestação de serviços: o padrinho atende às necessidades institucionais da criança ou adolescente, conforme sua especialização profissional. Um terapeuta, por exemplo, pode oferecer sessões de terapia; um professor pode ministrar cursos, etc. No caso do apadrinhamento afetivo, o objetivo é criar laços. Quem apadrinha acompanha de perto o desenvolvimento do afilhado, podendo fazer visitas, levar a passeios, festas, e até a própria casa do padrinho, por um final de semana, por exemplo.

Carlos Eduardo Carvalho e sua esposa, Raquel Carvalho, são padrinhos afetivos de dois adolescentes acolhidos pela Casa Lar Morada do Betinho. Eles integram um grupo de cerca de 35 voluntários, vinculados a uma igreja evangélica, que, há sete anos, dá apoio às casas de acolhimento da Capital. Segundo Eduardo, o amor pelo próximo é a principal motivação para ter se tornado padrinho. “Saber que você pode ajudar um adolescente, que foi privado de conforto, que pode estar cheio de traumas, e ser uma referência positiva para ele, é muito bom”, relatou.

O casal encontra os afilhados semanalmente. Juntos, eles conversam, vão aos cultos da igreja, a passeios e restaurantes. Também se preocupam em suprir algumas necessidades dos afilhados, doando roupas, por exemplo, mas sempre alinhados com a coordenação do lar de acolhimento.

Segundo Laura de Souza, coordenadora da Morada do Betinho, essa participação é muito importante. Ela afirma que “é um apoio que vem para somar. Os meninos têm os padrinhos como uma referência, se sentem acolhidos de verdade e protegidos. Se um padrinho demora a chegar, por exemplo, eles dizem: ‘Tia, será que ele vem’?”

Laura explicou, ainda, que, antes de decidir apadrinhar, os interessados têm contato com as crianças e adolescentes: criam um vínculo, despertam empatia e, então, a criança decide se quer se tornar afilhado ou não. É por essa empatia que o padrinho Eduardo acredita que não se trata apenas de contato físico: “eles têm meu telefone, entram em contato quando querem. E, quando necessário, nós aconselhamos, conduzimos. É por isso que eles nos veem como referência, como um mentor”, afirmou.

Esse cuidado e proximidade se reflete na relação. Não só no comportamento das crianças e adolescentes, mas também na vida dos padrinhos. “O que eu sinto é gratidão. A gente vai se doar, oferecer amor pra eles, e recebe ainda mais. Eles são carinhosos, e nos ensinam muito”, concluiu Eduardo.

Passo a passo para apadrinhar

As pessoas interessadas em apadrinhar devem entrar em contato, por telefone, com o setor de apadrinhamento da 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca da Capital. Num segundo momento, deverão se dirigir até lá para a entrega de documentos necessários. Fernanda Beltrão, coordenadora do Núcleo, explica que pessoas maiores de 18 anos, ou empresas, podem se candidatar. Elas serão submetidas a uma entrevista e, em caso de apadrinhamento afetivo, acontecerá, também, uma visita ao domicílio do interessado.

Ela ainda esclarece que somente podem ser apadrinhados afetivamente crianças e adolescentes acima de 8 anos de idade, ou menos de 8 anos se tiver deficiência física ou mental, ou em grupo de irmãos (por exemplo, se a pessoa quiser apadrinhar um grupo de três irmãos, um com 15, outro com 9 e outro com 4, esse menor não ficará de fora).

O Núcleo de Apadrinhamento Afetivo Sorriso Infantojuvenil (NAPSI) funciona na sede do Fórum da Infância e da Juventude da Comarca de João Pessoa. Telefone para contato: (83) 3222.6156, ramal nº 212.

O apadrinhamento é diferente de adoção. Portanto, quem tiver interesse em adotar, deve se conduzir ao Setor de Adoção, no mesmo Fórum.