“Rolê na Praça”: jovens como sujeitos de suas histórias

30 Out 2017

Por: Marcelo Salmaso - Juiz da Infância e da Juventude de São Paulo

Na noite de sábado do dia 28 de outubro de 2017, centenas de jovens se dirigiram à Praça Martinho Guedes, conhecida como a Praça da Santa,  localizada em Tatuí-SP, para externar muita alegria no embalo do rap e nos movimentos do skate e do basquete, todos unidos aos pés e sob as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição. Estreava a primeira edição do “Rolê na Praça”, evento que congregou muitos garotas e garotos, que, nos finais de semana, dirigem-se até a Praça da Santa em busca de diversão, paquera, entretenimento, ou seja, simplesmente para serem jovens.

Ao longo deste ano, representantes de órgãos públicos e de entidades públicas e privadas, bem como, da sociedade civil, principalmente jovens, realizaram uma série de reuniões para pensar em planos e estratégias com o objetivo de garantir maior segurança aos jovens que frequentam a Praça da Santa nas noites dos finais de semana, mas, especialmente, para proporcionar a eles cultura, esporte e lazer naquele espaço. Entre os entes participantes dessa iniciativa, destacam-se o Juízo da Infância e da Juventude; Núcleo de Justiça Restaurativa; Secretaria de Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude; Coordenadoria da Juventude; Secretaria de Segurança Pública; Secretaria de Desenvolvimento Social; Polícia Militar; Guarda Civil Municipal; Conselho Tutelar; Movimento Hip Hop; CRAS; CREAS; FATEC e movimentos jovens religiosos.

O ponto de partida foi a compreensão de que o jovem não é um inimigo da sociedade e nem mesmo de que ele será alguém no futuro, quando for adulto, mas, sim, o jovem é o futuro desde agora e pode ser protagonista de ideias e ações construtivas e transformadoras. Entendeu-se que a construção do plano de ação não poderia ser “para” os jovens, “pelos” jovens e, muito menos “sem” os jovens, mas, sim, “com” os jovens. Com base em tal premissa, o evento Rolê na Praça se apresenta como fruto de uma construção coletiva, na qual os jovens têm, efetivamente, vez e voz, para protagonizarem as atividades voltadas a eles próprios, com o suporte e a retaguarda dos adultos e das instituições.Assim, não por outro motivo, o Rolê na Praça foi e continuará a ser um sucesso. Quando os próprios jovens se veem como os responsáveis por pensar o problema e desenvolver a solução, alçados a sujeitos da história e de suas histórias, assumem a responsabilidade pela construção de caminhos e pelas consequências de suas escolhas. Daí nascem grandes projetos de futuro e de evolução social, como o evento deste sábado. Esse foi apenas o primeiro evento  de tantos outros. E essa ação foi apenas o primeiro passo para a construção de uma sociedade mais justa e mais humana.