Crianças estão sob ataque em uma escala chocante nos conflitos ao redor do mundo, diz UNICEF

29 Dez 2017

Por: Unicef

Crianças em zonas de conflito ao redor do mundo foram atacadas em uma escala chocante durante todo o ano, alertou o UNICEF hoje, com as partes em conflitos desconsiderando descaradamente as leis internacionais destinadas a proteger os mais vulneráveis.

"As crianças estão sendo alvo e expostas a ataques e violência brutais em suas casas, escolas e locais de recreação", disse Manuel Fontaine, diretor global de Programas de Emergência do UNICEF. "Uma vez que esses ataques continuam ano após ano, não podemos ficar entorpecidos. Essa brutalidade não pode ser o novo normal".

Em conflitos em todo o mundo, as crianças se tornaram alvo nas linhas de frente, usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas e recrutadas para lutar. O estupro, o casamento forçado, o sequestro e a escravização tornaram-se táticas padrão em conflitos desde o Iraque, a Síria e o Iêmen até a Nigéria, o Sudão do Sul e Mianmar.

Em alguns contextos, as crianças abduzidas por grupos extremistas vivenciam o abuso mais uma vez após a libertação quando são detidas pelas forças de segurança. Outros milhões de crianças estão pagando um preço indireto por esses conflitos, sofrendo de desnutrição, doenças e trauma uma vez que serviços básicos – incluindo acesso a alimentos, água, saneamento e saúde – lhes são negados, ou foram danificados ou destruídos nas batalhas.

Durante 2017

No Afeganistão, quase 700 crianças foram mortas nos primeiros nove meses do ano.

Na República Centro-Africana, após meses de combates renovados, um aumento dramático da violência viu crianças serem mortas, estupradas, raptadas e recrutadas por grupos armados.

Na região do Kasai, na República Democrática do Congo, a violência expulsou 850 mil crianças de suas casas, enquanto mais de 200 centros de saúde e 400 escolas foram atacados. Estima-se que 350 mil crianças sofreram de desnutrição aguda grave.

No nordeste da Nigéria e nos Camarões, o Boko Haram forçou pelo menos 135 crianças a atuar como bombas suicidas, quase cinco vezes mais do que em 2016.

No Iraque e na Síria, as crianças teriam sido usadas como escudos humanos, presas sob cerco, atacadas por atiradores e vivido sob intensos bombardeios e violência.

Em Mianmar, as crianças rohingyas sofreram e testemunharam uma violência chocante e generalizada quando foram atacadas e expulsas de suas casas no Estado de Rakhine; enquanto as crianças em áreas remotas de fronteira nos Estados de Kachin, Shan e Kayin continuaram a sofrer as consequências das tensões em curso entre as Forças Armadas de Mianmar e vários grupos étnicos armados.

No Sudão do Sul, onde o conflito e uma economia em colapso levaram a uma declaração de fome em partes do país, mais de 19 mil crianças foram recrutadas pelas forças armadas e por grupos armados e mais de 2.300 crianças foram mortas ou feridas desde que o conflito irrompeu em dezembro de 2013.

Na Somália, 1.740 casos de recrutamento de crianças foram relatados nos primeiros 10 meses de 2017.

No Iêmen, cerca de 1.000 dias de luta deixaram pelo menos 5 mil crianças mortas ou feridas, de acordo com dados verificados, com a expectativa de os números reais serem muito maiores. Mais de 11 milhões de crianças precisam de ajuda humanitária. Dos 1,8 milhão de crianças que sofrem de desnutrição, 385 mil estão gravemente desnutridas e correm risco de morte se não forem tratadas com urgência.

O UNICEF apela a todas as partes em conflito para que cumpram suas obrigações de acordo com as leis internacionais para acabar imediatamente com as violações contra crianças e os ataques a infraestruturas civis, incluindo escolas e hospitais. O UNICEF também apela aos Estados com influência sobre as partes em conflito para que usem essa influência para proteger as crianças.

Em todos esses países, o UNICEF trabalha com parceiros para proporcionar às crianças mais vulneráveis serviços de saúde, nutrição, educação e proteção infantil.