Unicef aponta que o mundo está falhando com bebês recém-nascidos

21 Fev 2018

Por: Unicef

As mortes globais de bebês recém-nascidos permanecem alarmantemente altas, particularmente entre os países mais pobres do mundo, informou o UNICEF hoje em um novo relatório sobre a mortalidade de recém-nascidos. Os bebês nascidos no Japão, na Islândia e em Cingapura têm a melhor chance de sobrevivência, enquanto os recém-nascidos no Paquistão, na República Centro-Africana e no Afeganistão enfrentam as piores probabilidades.

"Embora tenhamos diminuído em mais da metade o número de mortes de crianças com menos de 5 anos no último quarto de século, não fizemos progressos semelhantes para acabar com as mortes entre as crianças com menos de um mês de vida", disse Henrietta H. Fore, diretora executiva do UNICEF. "Considerando que a maioria dessas mortes são evitáveis, claramente, estamos falhando com os bebês mais pobres do mundo".

Globalmente, nos países de baixa renda, a taxa média de mortalidade neonatal é de 27 mortes por 1.000 nascimentos, diz o relatório. Em países de alta renda, essa taxa é de 3 mortes por 1.000. Os recém-nascidos dos lugares mais arriscados para se dar à luz têm até 50 vezes mais probabilidade de morrer do que aqueles dos lugares mais seguros.

O relatório também observa que 8 dos 10 lugares mais perigosos para se nascer estão na África ao sul do Saara, onde as mulheres grávidas são muito menos propensas a receber assistência durante o parto devido à pobreza, a conflitos e a instituições frágeis. Se cada país reduzisse a taxa de mortalidade de recém-nascidos para a média dos países de alta renda até 2030, 16 milhões de vidas poderiam ser salvas.

Desigualdades na vida

Maiores taxas de mortalidade de recém-nascidos

Menores taxas de mortalidade de recém-nascidos

1. Paquistão: 1 em 22 
2. República Centro-Africana: 1 em 24
3. Afeganistão: 1 em 25
4. Somália: 1 em 26
5. Lesoto: 1 em 26
6. Guiné-Bissau: 1 em 26
7. Sudão do Sul: 1 em 26
8. Costa do Marfim: 1 em 27
9. Mali: 1 em 28 
10. Chade: 1 em 28

1. Japão: 1 em 1.111 
2. Islândia: 1 em 1.000
3. Cingapura: 1 em 909
4. Finlândia: 1 em 833
5. Estônia: 1 em 769
5. Eslovênia: 1 em 769
7. Chipre: 1 em 714
8. Belarus: 1 em 667
8. Luxemburgo: 1 em 667
8. Noruega: 1 em 667
8. Coreia do Sul: 1 em 667

 

Nota: As taxas de mortalidade de recém-nascidos são estimativas com margens de incerteza. Os rankings são baseados em estimativas medianas de taxas de mortalidade neonatal (óbitos de recém-nascidos por 1.000 nascidos vivos). Elas não levam em conta as incertezas, e as posições do ranking estão, portanto, sujeitas a alterações. Os rankings excluem países com menos de 1.000 nascidos vivos ou populações com menos de 90.000 pessoas. Para classificações de todos os países, clique aqui.


Nota: As taxas de mortalidade de recém-nascidos são estimativas com margens de incerteza. Os rankings são baseados em estimativas medianas de taxas de mortalidade neonatal (óbitos de recém-nascidos por 1.000 nascidos vivos). Elas não levam em conta as incertezas, e as posições do ranking estão, portanto, sujeitas a alterações. Os rankings excluem países com menos de 1.000 nascidos vivos ou populações com menos de 90.000 pessoas. Para classificações de todos os países, clique aqui.

Mais de 80% das mortes de recém-nascidos são decorrentes de prematuridade, complicações durante o nascimento ou infecções como pneumonia e sepse, diz o relatório. Essas mortes podem ser evitadas com acesso a parteiras capacitadas, juntamente com soluções comprovadas como água limpa, desinfetantes, aleitamento materno na primeira hora, contato pele a pele e boa nutrição. No entanto, a escassez de profissionais de saúde e parteiras capacitados significa que milhares não recebem o apoio vital de que precisam para sobreviver. Por exemplo, enquanto na Noruega há 218 médicos, enfermeiros e parteiras para atender 10 mil pessoas, essa proporção é de 1 por 10.000 na Somália.

Neste mês, o UNICEF está lançando Every Child ALIVE (Cada Vida Conta), uma campanha global para exigir e oferecer soluções em prol dos recém-nascidos do mundo. Por meio da campanha, o UNICEF está emitindo um apelo urgente aos governos, prestadores de cuidados de saúde, doadores, setor privado, famílias e empresas para que mantenham todas as crianças vivas ao:

Recrutar, capacitar, reter e gerenciar um número suficiente de médicos, enfermeiros e parteiras com especialização em cuidados maternos e neonatais;

Garantir instalações de saúde limpas e funcionais, equipadas com água, sabão e eletricidade, ao alcance de cada mãe e bebê;

Considerar como prioridade oferecer para cada mãe e bebê os medicamentos e os equipamentos vitais necessários para um início de vida saudável; e

Empoderar adolescentes, mães e famílias para que exijam e recebam cuidados de qualidade.

"Todos os anos, 2,6 milhões de recém-nascidos em todo o mundo não sobrevivem ao primeiro mês de vida. Um milhão deles morrem no dia em que nascem ", disse Henrietta H. Fore. "Sabemos que podemos salvar a grande maioria desses bebês com soluções de cuidados de saúde acessíveis e de qualidade para cada mãe e cada recém-nascido. Apenas alguns pequenos passos de todos nós podem ajudar a garantir os primeiros pequenos passos de cada uma dessas crianças".