Adoção: tribunal facilita adaptação de crianças às famílias em AL

01 Jun 2018

Por: CNJ
Foto: TJAL

A engenheira geóloga Regla Massahoud e seu esposo, Luiz Carlos Massahud, relatam como o auxílio dos profissionais e voluntários do Grupo de Apoio à Adoção de Alagoas da 28º Vara Cível da Capital – Infância e Juventude – foi fundamental para a adaptação com o filho adotivo, Jadson, de 11 anos. Com a guarda provisória terminando em junho, o casal já declarou que quer ficar com a guarda definitiva do menino.

Criado no dia 25 de maio de 2016 em Alagoas, o Grupo de Apoio conta com assistentes sociais, psicólogos e psicopedagogos, por exemplo, e é responsável por avaliar os interessados em adotar e produzir um relatório contendo informações importantes para embasar a decisão da juíza Fátima Pirauá, titular da unidade, sobre o pedido de adoção.
“Todas essas pessoas [envolvidas com o grupo] tem um papel fundamental para nós. Eles têm nos visitado, nos orientado. Sem a ajuda deles, talvez gente tivesse tido mais erros do que acertos”, comentou Regla Massahoud, cubana que mora há oito anos no Brasil e é professora efetiva da Universidade Federal de Alagoas desde 2012.
Jadson, que vivia em um abrigo no município de Campo Alegre, compartilha seus dias com o casal desde dezembro de 2017, quando a juíza concedeu a guarda provisória do menino.
“A escolha da escola, o modo dele se comportar conosco. Foi um processo de adaptação de nós a ele e ele a nós. E a cada contratempo, o grupo nos acompanhou”, diz Regla, para quem o grupo representa um “suporte bastante importante para os futuros adotantes e para quem não teve filhos”.
O casal reconhece que sua rotina mudou para melhor depois da chegada do Jadson. Bastante atarefada, Regla precisou se desvencilhar de alguns afazeres para ofertar a melhor assistência possível, o que inclui preparar seu material escolar, levá-lo à escola, acompanhar suas tarefas escolares, brincar e sair para passear. “Ele tem nos ajudado nisso”, reforça.
“Adoção significa amor, mas também formação de caráter. Acho que amor sozinho não é suficiente. É preciso uma doação de tempo e de vontade de querer contribuir com a formação de uma pessoa. A gente ama, mas tem que colocar alguns limites, lembrando que está formando uma pessoa, com rigor, mas com amor”, explicou a mãe de Jadson.
Psicóloga da 28ª Vara da Infância da Capital - Infância e Juventude, Fátima Malta avalia que a adoção é, antes de tudo, um ato de amor. “É uma gestação fora do corpo e feita no coração. É a fertilização de quem não pode gestar biologicamente”, resume a servidora.
A servidora, que atua no Judiciário alagoano há cerca de 22 anos com crianças e adolescentes, explica que, atualmente, a adoção vem sendo praticada por pessoas casadas e solteiras também. Fátima Malta destaca ainda a adoção unilateral, quando o companheiro adota o filho da companheira ou vice e versa. “O importante é garantir família para estas crianças”.
Fátima Malta explica ainda que a burocracia para a adoção e a investigação da vida pregressa dos futuros adotantes são etapas necessárias para garantir a segurança das crianças e adolescentes que receberão um novo lar. Durante esse processo, os interessados recebem visitas não agendadas com o objetivo de conhecê-los melhor no dia a dia.
“Tem que ter essa espera, tem que passar por todo esse trâmite e aguentar um pouco a ansiedade para ver quando o filho chega. Às vezes, vai além dos nove meses, mas acontece. Já quando a gente sente que a pessoa ou o casal ainda não está preparado para a adoção, a gente solicita o encaminhamento ao psicólogo para que faça terapia conjunta ou individual”, explicava a psicóloga.
Fátima Malta lembra que “filho é filho para sempre”, razão pela qual os psicólogos e assistentes sociais da 28ª Vara se certificam que o adotante está, de fato, interessado na adoção e destaca “criança não é remédio da solidão”.
Atualmente, por determinação da juíza Fátima Pirauá, para se inserir no Cadastro Nacional de Adoção em Alagoas, é necessário participar de, pelo menos duas, reuniões com o Grupo de Apoio à Adoção. Os encontros ocorrem, normalmente, na segunda quarta-feira do mês, das 15h às 16h30, na 28ª Vara da Infância, na Ponta Verde.
Após algumas reuniões na unidade judiciária, o Grupo realiza uma visita a um abrigo sorteado. O objetivo é promover uma interação entre os interessados e as crianças e adolescentes que esperam por uma família.