Supervisor da VIJ-DF fala sobre voluntariado aos serviços de acolhimento

08 Nov 2018

Por: TJDFT
Foto: TJDFT

Gelson Leite, supervisor da Rede Solidária Anjos do Amanhã, conta sua experiência no programa social da VIJ-DF e revela os desafios do trabalho voluntário 

No dia 30/10, o supervisor Gelson Leite, da Rede Solidária Anjos do Amanhã, programa social da Vara da Infância e da Juventude (VIJ-DF), proferiu palestra com o tema Voluntariado Responsável, no curso de Capacitação de Profissionais da Rede de Acolhimento do DF, promovido pela ONG Aconchego - Grupo de Apoio à Convivência Familiar e Comunitária. Participaram, ainda, do evento servidoras da VIJ-DF e da Comissão Distrital Judiciária de Adoção – CDJA/TJDFT. 

O curso iniciou no dia 21/8 e acontece no campus da Universidade Paulista – UNIP, em Brasília, todas as terças-feiras até dia 6/11. O objetivo é promover a capacitação continuada e a troca de saberes entre os profissionais da rede de atendimento à criança e ao adolescente, assim como discutir temas emergentes dos serviços de acolhimento e do direito à convivência familiar e comunitária.  A capacitação recebe apoio do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal – CDCA/DF.

Antes iniciar a sua fala, Gelson propôs uma dinâmica de aquecimento, quando os participantes formaram um círculo. Nas palavras do supervisor, o momento simbolizou “a rede de proteção à criança e ao adolescente, bem como a necessidade de os diferentes atores observarem melhor o princípio da incompletude institucional e o fortalecimento dos vínculos de cooperação, já que todos estão conectados pelo mesmo propósito em uma relação indissociável de interdependência”, refletiu.

Valorização e cuidado com o voluntário

Em seguida, Gelson discorreu sobre o voluntariado sob a perspectiva da Rede Solidária Anjos do Amanhã, programa que existe desde 2006 na VIJ-DF, lançado com a finalidade de apostar em parcerias para satisfazer necessidades e direitos do público jurisdicionado da Justiça Infantojuvenil do DF. O supervisor rememorou o surgimento do programa e relatou sobre sua estrutura, funcionamento, aprendizados, legados e desafios.

Ele aproveitou a presença maciça de técnicos das entidades de acolhimento do DF para compartilhar a delicada relação entre os voluntários cadastrados na Rede e os beneficiários, que são os projetos e as entidades que vinculam ou acolhem as crianças e adolescentes, público-alvo da Vara. Nesse aspecto, o supervisor caracterizou o voluntário da Rede como “a solução estratégica enxergada pelo juiz Renato Rodovalho Scussel, titular da VIJ-DF, quando idealizou e criou o Anjos do Amanhã, apoiado em três justificativas: o abismo entre as políticas públicas escassas e a extrema vulnerabilidade de meninos e meninas; o potencial do voluntariado no DF e a inspiração constitucional”.

Como grande parte dos recursos da Rede Solidária Anjos do Amanhã são destinados às instituições de acolhimento de crianças e adolescentes, o supervisor pediu aos técnicos presentes que promovam a acolhida desses voluntários, de modo a orientá-los, acompanhá-los e valorizá-los. “Como todos os seres humanos, os voluntários estão suscetíveis a vulnerabilidades diversas. A fidelização deles ao trabalho depende, além de capacitação, também de apoio técnico e emocional, vínculo afetivo e reconhecimento”, ponderou. 

Entre os desafios para engajar e aproveitar melhor o voluntário frente às demandas apresentadas por crianças e adolescentes, público beneficiário, Gelson citou ser primordial estabelecer a corresponsabilização entre ambas as partes, por meio de conversas prévias, pactuações e procedimentos de acompanhamento. Desse modo, ele disse ser possível impedir o desperdício do recurso por parte de quem o demandou e elevar o nível de engajamento do voluntário.

O supervisor explicou como a Rede Solidária Anjos do Amanhã lida com o público voluntariado: “investigamos suas motivações e o orientamos a se cadastrar somente se estiver pronto para abraçar o desafio e se comprometer com a atividade”. Segundo Gelson, essa atitude evita que o voluntário se precipite em iniciar um trabalho e sobrevenha uma interrupção, passível de ser prevista diante da construção de um cenário futuro. “É o cuidado que temos para não submeter o nosso público-alvo a intervenções de qualquer jeito e de não reforçar o trauma do abandono nas crianças e adolescentes”, ressaltou.

Ele asseverou que os servidores e colaboradores da Rede Solidária estimulam os potenciais parceiros a conhecerem a realidade dos meninos e meninas com quem irão atuar, de modo a desconstruir eventuais idealizações desse público. Gelson afirmou que esse trabalho é realizado em intrínseca parceria com os técnicos e dirigentes das instituições e concluiu que “o trabalho de preparação e acompanhamento ainda é um desafio e estamos aperfeiçoando algumas medidas para superá-lo”.

Estímulo e desenvolvimento do voluntariado

Ao finalizar sua palestra, Gelson disse que, em sua trajetória de 12 anos de existência, a Rede Solidária Anjos do Amanhã, como instância de convocação e mobilização de voluntários, vem contribuindo para fortalecer a rede de proteção à infância e juventude e fomentar a cultura de voluntariado, que ainda não é muito forte no Brasil. Em um momento de reflexão, ele traduziu a nova visão sobre o voluntariado: “não podemos  perder de vista que o  voluntário é um sujeito em construção e, durante a nossa jornada, descobrimos  que é necessário estimular o desenvolvimento de sua resiliência, pois não basta o sentimento de solidariedade. O trabalho voluntário, ainda que não seja remunerado financeiramente, exige comprometimento, foco e orientação para os resultados. Não pode ser feito com ingenuidade e despreparo”, concluiu.