Pretendentes participam de encerramento do Curso Preparatório de Adoção na Capital

11 Jul 2019

Por: TJPB
Foto: TJPB

“A minha principal motivação para estar aqui é amor”. A fala é da médica anestesista Rossana Sá, que participou do Curso Preparatório de Adoção, iniciado ontem e encerrado nesta quarta-feira (10),  promovido pela 1ª Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça da Paraíba. Com palestras, filmes, depoimentos e esclarecimento de dúvidas, a capacitação buscou orientar as pessoas que desejam adotar uma criança ou adolescente.

A médica revelou que, por trabalhar com crianças e realizar um serviço voluntário em uma instituição de acolhimento, se sentiu chamada a se tornar mãe adotiva. “Quando vi a quantidade de crianças precisando de carinho e cuidados, não resisti, e não escondo das pessoas o meu desejo de adotar. Quando fui questionada sobre isso, fiz uma reflexão e entendi que o maior dos homens, Jesus, também foi adotado”, opinou.

Com o mesmo desejo, mas com uma motivação diferente, José Luis Santos também participou do curso. Ele já tem uma filha de oito anos, cuja adoção não havia sido regularizada e, por isso, procurou a Justiça para tal. “Queremos oficializar tudo para que ela tenha os direitos legais, como um plano de saúde, por exemplo. É, também, uma forma de expressarmos o nosso amor por ela”, declarou.

Vanderlita Fernandes já tem uma filha biológica e está na fila, aguardando para adotar. “São crianças que precisam do nosso apoio e carinho. Adotar é um gesto muito bonito e não há diferença em relação a um filho biológico”, pontuou.

Curso – Após explanação sobre os aspectos jurídicos e pedagógicos, o último dia do evento foi marcado por uma abordagem social e psicológica a respeito da adoção, como explicou a psicóloga e secretária-executiva da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) da Corregedoria-Geral de Justiça, Ana Lúcia Cananéa.

“Trabalhamos questões relacionadas ao porquê de cada um estar aqui e quais são os mitos, os medos, os preconceitos e as expetativas em torno da adoção. Realizamos oficinas de sensibilização e promovemos uma troca entre os participantes”, revelou Ana Cananéa.

A assistente social Aline Cunha, da Vara da Infância e Juventude da Capital, também palestrou e disse que o curso foi muito rico, com a presença de diferentes realidades e perfis. “A mudança no perfil das crianças desejadas é uma construção gradativa, mas vem se tornando uma realidade”, destacou.

A psicóloga e coordenadora do Setor de Guarda e Adoção da unidade, Goretti Abrantes, informou que o curso contou com 81 participantes de João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita, Mamanguape, Alagoa Grande, Itabaiana, Guarabira e Bayeux. Ela lembrou que o curso é um pré-requisito obrigatório para a adoção, exigido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ocorre por polos, geralmente, três vezes por ano. 

“As pessoas chegam com muita vontade de adotar, mas sem as noções do processo. A capacitação as prepara, oferecendo suporte teórico, psicológico, jurídico e educativo, orientações sobre o que ler em relação à matéria. Muitas vezes, elas mudam o perfil a respeito das crianças desejadas e lidam melhor com as questões que envolvem a adoção”, analisou.