NOTA PÚBLICA
A Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e da Juventude (Abraminj) manifesta profunda consternação diante da morte da magistrada Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, fato que sensibilizou colegas, familiares, amigos e toda a comunidade jurídica brasileira.
Em meio a esse contexto de dor, especialmente às vésperas do Dia das Mães, causa perplexidade a publicação de charge pelo jornal Folha de S.Paulo em tom incompatível com a dimensão humana e emocional que envolve a tragédia recentemente vivida.
A Abraminj reafirma seu absoluto compromisso com a liberdade de imprensa e com a liberdade de expressão, pilares essenciais do Estado Democrático de Direito e garantias que devem ser permanentemente preservadas. A crítica institucional, o humor e a manifestação de ideias integram o debate público e são legítimos em uma sociedade democrática.
Entretanto, nenhuma dessas garantias afasta a necessidade de responsabilidade, sensibilidade e respeito diante de acontecimentos que mobilizam sofrimento humano tão evidente. O exercício da liberdade exige também compromisso ético com os impactos produzidos socialmente, sobretudo quando envolvem dor, luto e questões relacionadas à maternidade e à dignidade das mulheres.
A escolha editorial realizada neste episódio revelou-se profundamente inadequada ao momento vivido, contribuindo para ampliar a dor e o sentimento de indignação de magistrados, familiares e de tantas mulheres que se sensibilizaram com a perda precoce da colega.
Neste momento, a Abraminj se solidariza com os familiares, amigos e colegas da magistrada Mariana Francisco Ferreira, reiterando seu respeito à memória da juíza e defendendo que o debate público jamais se afaste dos valores mínimos de humanidade, empatia e civilidade.